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O futuro das estradas terá caminhões e ônibus que receberão atualizações pela internet, da mesma maneira que acontece com os smartphones. É isso que preveem as empresas de software e os grandes fabricantes de veículos e peças. A alemã ZF, uma das principais fornecedoras de componentes da indústria automotiva, apresentou recentemente à imprensa uma série de inovações ligadas ao conceito de “veículo definido por software” (também conhecido pela sigla, em inglês, SDV). São equipamentos com tecnologia digital, operados por aplicativos, que podem ser atualizados através de Wi-Fi sempre que necessário. Uma pesquisa da IBM, com executivos do setor de mobilidade, apontou que, para eles, 90% de todas as inovações relacionadas a veículos, em 2030, serão baseadas em software. “Software e inteligência de sistemas conectados estão se tornando os principais ingredientes para desbloquear o próximo nível de potencial dos veículos comerciais”, explica Ivan Brajdic, líder de pesquisa e desenvolvimento da Divisão de Soluções para Veículos Comerciais da ZF.
Do turbo e do intercooler à injeção eletrônica, as principais inovações no desempenho, na economia e na sustentabilidade dos veículos pesados até recentemente foram mecânicas ou baseadas em sistemas eletrônicos. Com a chegada da internet das coisas (IoT), a promessa da próxima geração de inovações é melhorar o desempenho dos veículos a cada atualização de software. Entre os equipamentos demonstrados pela ZF, um dos destaques foi o “caminhão de segurança”, um sistema com câmeras e sensores que permite ter a visão 360 graus, em tempo real, em torno de toda a combinação veicular, do cavalo aos semirreboques. Outros sistemas incluem detecção de movimentos nos pontos cegos e a possibilidade de acionar uma frenagem ativa automática para evitar acidentes com ciclistas e pedestres. Ou, durante manobras, impedir colisões com objetos que estão em pontos cegos. Um sistema de monitoramento do motorista analisa sinais de fadiga e pode emitir alertas para acordá-lo se ele cair no sono. As inovações não se limitam ao campo da segurança. Uma transmissão híbrida, por exemplo, combina um motor elétrico com o câmbio convencional, permitindo partidas elétricas, recuperação de energia e modos de condução flexíveis.
Uma mostra da velocidade dessa mudança está no mercado de chips para veículos. Ele deve crescer de US$ 66 bilhões, no ano passado, para US$ 110 bilhões em 2030, segundo dados da consultoria Business Research Company. Com o aumento do poder de processamento dentro de caminhões e ônibus, seus dispositivos poderão se comunicar em tempo real com outros veículos ou com equipamentos instalados nas estradas, como radares ou pedágios free flow. Assim, sistemas podem acionar alertas para evitar acidentes. Enviar mensagens e registrar pagamentos automaticamente, evitando paradas e facilitando o trânsito. E os fabricantes poderão vender programas auxiliares por assinatura, da mesma maneira que os aplicativos pagos para celular. Assim, no lugar de comprar um acessório opcional, o dono do caminhão poderá assinar um serviço online, por exemplo, para analisar o comportamento do veículo e fazer manutenção preditiva.
Saiba mais sobre o assunto nos sites Frota & Cia, IBM e Canaltech.
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