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A falta de caminhoneiros, que tem afetado transportadoras em todo o Brasil, é parte de um fenômeno mundial. Pelo menos é o que indica uma pesquisa europeia, o Truck Driver Barometer Europe (Barômetro dos Motoristas de Caminhão da Europa, em inglês). Elaborado pela União Internacional dos Transportes Terrestres (IRU), em parceria com a Michelin, ela revela que a insatisfação com a profissão afeta todos os países. O levantamento entrevistou 1.100 caminhoneiros do continente utilizando a metodologia de NPS (Net Promoter Score, o sistema mais reconhecido para avaliar a satisfação do público com produtos ou serviços), para medir como os motoristas de caminhão avaliavam sua carreira. De acordo com o levantamento, a média de satisfação com a carreira na Europa é de –43, em uma escala que vai de +100 a –100.
Os números variam de país para país, mas a situação é pior nos países onde há mais percepção de falta de segurança ou piores condições de trabalho, como Espanha (-76), Polônia (-59) e Itália (-48). A avaliação melhora em países com melhor infraestrutura, estradas melhores, pontos de descanso, como Alemanha (-31), Holanda (-26) e Reino Unido (-25), mas, ainda assim, fica no terreno da avaliação desfavorável.
O lado positivo da pesquisa é que 81% dos motoristas alegam gostar do trabalho em si, e focam suas reclamações nas condições de trabalho, e não na atividade de conduzir caminhões.
Nos Estados Unidos, calcula-se que haja um déficit de 60 mil motoristas, com a previsão de que logo atinja 100 mil vagas em aberto. Na Europa, a carência chega a 400 mil caminhoneiros. No Brasil, onde mais de 60% de todas as cargas são transportadas por via rodoviária, a Senatran indica que o país perdeu 1,2 milhão de caminhoneiros em dez anos. A idade média dos trabalhadores da categoria tem aumentado, e a quantidade daqueles que se aposentam é maior do que a de jovens que ingressam na profissão. A situação é mais grave entre os autônomos, que não contam com a vantagem de trabalhar nas grandes empresas, onde, em geral, os benefícios trabalhistas são melhores.
Ironicamente, a categoria é uma das que costumam ter melhor remuneração média entre as diversas profissões.
Especialistas avaliam que medidas como a melhoria do acesso à obtenção da CNH profissional são essenciais para permitir a renovação dos motoristas. Estratégias para melhorar as condições para motoristas mulheres também são recomendadas. E a renovação da frota, com caminhões mais confortáveis e mais recursos tecnológicos, também tende a tornar o trabalho mais atrativo e menos desgastante.
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