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O Brasil ganhou um espaço de tecnologia de ponta para testar caminhões e ônibus, sistemas de controle e segurança, direção autônoma e outras inovações de mobilidade. Com um investimento de R$ 130 milhões, foi inaugurado no início de maio o CTVI (Centro de Testes Veiculares de Iracemápolis), um dos mais completos campos de provas do Hemisfério Sul.
Localizado no terreno de 400 mil metros quadrados da antiga fábrica de automóveis da Mercedes, no interior de São Paulo, ele foi construído em uma parceria entre a fabricante alemã e a Bosch, empresa de engenharia mecânica, motores e componentes. Embora carregue o nome de duas marcas das mais tradicionais da indústria de transporte, o CTVI funcionará como uma espécie de laboratório gigante, aberto para o uso de qualquer cliente que deseje testar suas tecnologias ali – e já começa com 20 contratos fechados.
O campo possui cinco pistas especializadas e sete oficinas independentes, totalmente isoladas uma da outra, para garantir o sigilo dos testes realizados. Duas delas foram desenvolvidas exclusivamente para veículos comerciais pesados, com capacidade para receber caminhões e ônibus de diferentes dimensões. Entre outros testes, o CTVI poderá avaliar sistemas de estabilidade, frenagem, radares, sensores ultrassônicos e tecnologias de condução semiautônoma, entre outras tecnologias.
A inauguração significa que os testes de tecnologias desenvolvidas ou adaptadas para o Brasil ganharão tempo. “Antigamente, você levava o caminhão para a Alemanha, para os Estados Unidos, levava dois meses entre transporte, engenheiros, validações. Se precisava ajustar algo, voltava tudo de novo. Agora, isso acontece aqui. E o dado vai para a rede de desenvolvimento global em tempo real”, explica Andreas Hueller, gerente-geral do CTVI.
As instalações do CTVI incluem uma pista oval de alta velocidade (HSO), composta por duas retas paralelas de 960 metros cada e duas curvas asfálticas compensadas de três ângulos distintos, completando o circuito oval num total de 2,6 mil metros de extensão, com três faixas de rodagem. Para ensaios de conforto e integridade estrutural, possui as chamadas comfort lanes (CML), compostas por quatro faixas paralelas que incorporam cinco tipos distintos de pisos, permitindo a validação de sistemas de suspensão e a resposta da carroceria a irregularidades simuladas. Também tem a Vehicle Dynamics Area (VDA), com 88 mil metros quadrados de asfalto perfeitamente plano e 220 metros de diâmetro, projetada para testes de dinâmica veicular em condições controladas. Para medição de frenagem, a Brake Measurement Track (BMT) possui três faixas paralelas equipadas com sistema de irrigação, o que possibilita a reprodução de diferentes coeficientes de aderência entre pneu e solo, fundamentais para a calibração de sistemas de freio e controle de estabilidade. Por fim, o Paved Handling Course (PHC), voltado à avaliação da dirigibilidade e do comportamento dinâmico em curvas e mudanças de inclinação, desenvolve-se ao longo de 1,7 quilômetro, com variação de elevação ao longo do trajeto.
Saiba mais sobre o assunto nos sites O Carreteiro, Jornal do Carro, Frota & Cia e Bosch.
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