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O problema é conhecido há alguns anos e existe no mundo inteiro – a falta de motoristas para ônibus e caminhões. A novidade é que, em um mercado no qual 88% das transportadoras relatam dificuldades para contratar, diversas instituições, empresas e governos estão propondo caminhos para assegurar a renovação da força de trabalho nas estradas.
“Se o Brasil não enfrentar esse desafio, daqui a cinco ou seis anos teremos um problema de motoristas profissionais”, declarou George Santoro, ministro dos transportes, em entrevista ao Estadão. O governo federal lançou no ano passado o programa CNH Brasil, para facilitar o acesso à habilitação. Dezessete estados já lançaram programas da chamada CNH Social, que permite a pessoas registradas no CadÚnico tirar a primeira habilitação gratuitamente. E o SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) lançou o programa Mais Motoristas, uma iniciativa criada para que condutores possam, de forma gratuita, subir de categoria na CNH, obtendo licenças de categorias C (caminhões de porte único), D (ônibus e micro-ônibus) ou E (carretas e veículos pesados em geral).
O ponto-chave é atrair os jovens. Dados do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) mostram que menos de 20% dos caminhoneiros em atividade no país têm menos de 30 anos, enquanto cerca de metade dos profissionais ao volante já passou dos 45 anos. Isso indica que a força de trabalho está envelhecendo e que a carreira não está atraindo novos trabalhadores entre os mais jovens. O alto custo para se cursar uma autoescola e tirar as habilitações profissionais era apontado pelos especialistas como uma das causas para a dificuldade de renovação na carreira.
O balanço parcial do CNH Brasil mostra que, com o fim da exigência de cursar a autoescola, o número de novas habilitações cresceu 8,9% em relação ao ano passado, batendo o recorde de emissão de novas CNHs – 1,41 milhão de documentos entre janeiro e maio de 2026. O que é necessário, agora, é atrair parte dos novos motoristas para subir de categoria e investir na carreira de motorista profissional.
O programa do SEST SENAT, que oferece gratuitamente oportunidade para mudança de categoria da CNH, abriu turmas em diversos estados do Brasil para pessoas físicas e também montou cursos em parceria com empresas (como a Arauco, de celulose, e a JSL, de logística) e instituições como a Fabet (Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte). Para ampliar o leque de novos profissionais, muitas dessas turmas têm oferecido vagas para mulheres, que, atualmente, ainda são minoria entre os condutores habilitados para ônibus e caminhões.
Para saber mais sobre o tema, visite os sites Terra, Estradão, Click Petróleo e Gás, Extra, SEST SENAT, Portal Celulose e O Carreteiro.
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