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Os ônibus elétricos estão, aos poucos, ocupando as ruas do Brasil. Entre janeiro e maio, foram registrados 311 emplacamentos, o que representa um crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda é uma quantidade modesta, em comparação com o total da frota, mas indica um crescimento importante de demanda – a ponto de levar os fabricantes a anunciar investimentos para aumentar a capacidade de produção. A crise dos preços do diesel causada pela guerra no Oriente Médio ajudou a renovar a atenção sobre a motorização elétrica, e as linhas de financiamento disponíveis fizeram com que diversos municípios buscassem a renovação de frotas.
O crescimento é puxado por grandes cidades, que possuem mais recursos para renovação de frota. Em São Paulo, capital, dona da maior frota de veículos do país, cerca de 10% dos ônibus são elétricos, e a prefeitura já anunciou que pretende chegar em 20%, com a substituição de 2.200 unidades. Parte da razão para a mudança é ambiental – cada veículo elétrico evita o consumo de 3.500 litros anuais de diesel. Mas, no longo prazo, o argumento econômico também pesa, já que a o custo total de propriedade (TCO) desses ônibus é muito menor ao longo de sua vida útil. “O custo do abastecimento com energia elétrica é muito menor, e a eficiência do motor elétrico é muito superior à do motor a diesel”, resume Adriana Marotti, professora da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP. A eletrificação do transporte público também ajuda a diminuir a poluição sonora nas cidades, aumenta a eficiência energética das operações e oferece maior conforto aos passageiros.
Desde o início do ano, Porto Alegre anunciou a chegada de 100 novos ônibus elétricos, e Recife abriu licitação para adquirir a mesma quantidade. Prefeituras de cidades menores, porém, esbarram em dificuldades financeiras para fazer essa transição, porque, embora o custo para abastecer e fazer manutenção desses ônibus seja muito menor, o custo para a compra do veículo em si pode ser até três vezes maior que o de um a diesel.
Para atender a essa demanda, a Eletra, maior fábrica de ônibus elétricos em atividade no país, anunciou que vai aumentar sua capacidade de produção de 1.800 para 3.000 veículos anuais. A BYD, que assumiu a liderança em vendas este ano, também se prepara para um aumento de encomendas. “Durante muitos anos, o debate esteve concentrado na viabilidade da tecnologia. Hoje, a discussão passa por escala, infraestrutura e velocidade de implementação. A eletromobilidade já faz parte do planejamento das cidades e deixou de ser uma aposta para se tornar uma agenda concreta de transformação urbana”, resume Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD Brasil.
Saiba mais sobre o assunto nos sites Inside EVs, O Globo, Jornal USP, GZH, Jornal do Comercio, Exame e Technibus.
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