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A crise dos combustíveis gerada pelo conflito no Oriente Médio está fazendo com que cada vez mais gestores de frotas busquem alternativas ao diesel. Enquanto se fala muito de veículos elétricos e híbridos, o gás (seja ele GNV ou biometano) tem surgido como uma opção de combustível econômico e menos poluente, tanto para veículos zero quilômetro quanto para a conversão da frota já existente.
A Volkswagen, por exemplo, sinalizou que pretende ampliar sua presença no mercado de caminhões a gás – hoje dominado pela Scania – e já está testando o modelo VW Constellation 26280 em São Paulo, inicialmente com empresas de coleta de resíduos. A ideia da fabricante é avançar gradualmente em nichos específicos onde o gás tem mais competitividade.
A conversão de motores diesel em motores a gás, aproveitando veículos que já estão rodando, também é uma opção que tem chamado muita atenção. Segundo testes realizados pela MWM, multinacional de motores que pertence ao grupo Tupy, essa conversão – ou “retrofit”, o termo em inglês – se tornou mais atraente ao reduzir em até 30% o custo com o combustível.
Em uma entrevista ao site Frota & Cia, Cristian Malevic, diretor da Unidade de Negócios de Descarbonização, Energia Elétrica e Soluções Marítimas da MWM, explicou que o investimento feito nessa conversão hoje se paga em apenas dois anos – contra três, antes da alta do diesel –, e o custo total de propriedade do caminhão (TCO) pode ficar 20% menor ao longo de toda sua vida útil. O motor a gás é considerado mais sustentável porque não emite material particulado, e, do ponto de vista econômico, isso também significa um custo a menos, porque elimina a necessidade do filtro de partículas diesel (DPF).
Segundo Malevic, a distinção entre um veículo original de fábrica (OEM) e um que passou pelo retrofit é, basicamente, de documentação, pois não há diferença perceptível entre um caminhão zero-quilômetro movido a gás e um que foi convertido. Ele observa, porém, que, para essa conversão, é necessário que o veículo esteja em poder do cliente final, com nota fiscal emitida em seu nome, ou seja, não é possível fazer retrofit em um modelo zero quilômetro que está ainda na concessionária.
Existem empresas investindo em grandes volumes de retrofits. A Vamos, uma das líderes em locação e gestão de frotas de caminhões, máquinas e equipamentos pesados, anunciou a conversão para biometano e gás natural de 100 caminhões no primeiro trimestre. Já a Tegma Gestão Logística anunciou um projeto-piloto de conversão para tecnologia híbrida diesel-GNV. Dois veículos foram convertidos e seus indicadores estão sendo acompanhados. Se os resultados forem positivos, a mudança pode ser estendida a mais veículos da frota.
Saiba mais sobre o assunto nos sites Transporte Moderno, Frota & Cia, Mundo Logística e Tecnologística.
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