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Depois do etanol, do biodiesel e do biometano, um outro combustível ecológico está prestes a se tornar uma realidade nas estradas brasileiras. É o hidrogênio, considerado o combustível mais abundante na terra. Ao longo do processo, ele gera apenas água como resíduo, e está sendo empregado para gerar energia e carregar baterias elétricas.
Há anos, os engenheiros e cientistas falam sobre o potencial dos motores a hidrogênio, mas até recentemente os custos eram um obstáculo. Com o avanço da tecnologia, porém, eles vêm se tornando mais acessíveis e podem se transformar em uma alternativa para veículos pesados e motores industriais. Diversos fabricantes de caminhões anunciaram recentemente experiências com esse combustível. A Hyundai está fazendo testes de campo, em condições reais, com uma frota no Uruguai. A Volvo também iniciou testes nas estradas do norte da Europa, com prazo previsto de lançamento dos primeiros modelos no mercado em 2030. A Toyota faz seus testes na Califórnia, com caminhões que atingem 800 km de autonomia e podem ser recarregados em apenas 20 minutos.
Quem está preparando um movimento ousado, porém, é a GWM, fabricante chinesa que já vende carros elétricos no Brasil. Ela está desenvolvendo kits de célula de combustível para converter caminhões a diesel em caminhões a hidrogênio. A ideia lembra um tipo de solução que foi muito popular na década de 1970, durante a crise do petróleo, quando donos de carros recorriam às oficinas mecânicas para converter seus motores a gasolina em motores a álcool. No caso do hidrogênio, ele seria uma solução mais barata e mais rápida do que adquirir caminhões nativos a hidrogênio. O kit inclui stack de célula, tanques de hidrogênio de alta pressão, motores elétricos e sistemas de controle, mais uma bateria de apoio. Sua instalação exige reengenharia de chassi, recalibração estrutural e integração eletrônica completa. O primeiro caminhão a hidrogênio da fabricante chegou ao Brasil ano passado para testes de campo. Na China, esse sistema já foi implementado com sucesso, com milhares de caminhões convertidos em circulação.
O sucesso dos caminhões a hidrogênio depende também de se encontrar as melhores soluções para produção do combustível. A GWM já anunciou que irá tentar tanto a alternativa da obtenção por eletrólise quanto uma outra, utilizando restos da produção de etanol. Outras empresas também estão mirando na produção do gás. A Petrobras anunciou no ano passado que irá transformar São Paulo em um hub de produção de hidrogênio, com quatro refinarias. A Engie Brasil anunciou a identificação de quatro reservas do elemento químico, no Ceará, Roraima, Tocantins e Minas Gerais, capazes de produzir o chamado “hidrogênio branco”, que não exige eletrólise. E um consórcio de empresas brasileiras e alemãs anunciou um complexo integrado de energia renovável no Rio Grande do Norte, que irá produzir 80 mil toneladas anuais de hidrogênio de baixo carbono.
Saiba mais sobre o assunto nos sites Inside EVs, Volvo, Valor, Estadão, Click Petróleo e Gás e Exame.
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