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A tecnologia digital já chegou aos veículos através dos GPS, da telemetria, da internet das coisas (IoT) e da eletrônica embarcada. Agora, com o aumento da conectividade nas estradas, há uma verdadeira revolução à vista, que promete criar estradas inteligentes que irão operar como verdadeiros sistemas interligados. Já é possível ver um pouco desse futuro em rodovias na China, Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Holanda e Estados Unidos. O que permite essa novidade é a tecnologia de conectividade batizada de V2X, sigla de “vehicle to everything”, que pode ser traduzida livremente como “de veículo para tudo”. Ela descreve a possibilidade de caminhões, ônibus e carros receberem e enviarem informações em tempo real para o ambiente ao seu redor, o que inclui semáforos, pedágios e a internet.
As possibilidades dependem da tecnologia dos carros, da infraestrutura de comunicação (basicamente conexão de internet eficiente, de preferência 5G) e dos equipamentos implementados pelos administradores das estradas. No Reino Unido, por exemplo, as estradas inteligentes podem liberar provisoriamente o acostamento como faixa de tráfego, para aliviar o trânsito nos momentos em que há congestionamento. Esse ecossistema pode inclusive colaborar com a condução autônoma, gerando mais uma camada de segurança. A consultoria Research and Markets estima que o mercado de rodovias inteligentes deve atingir cerca de US$ 100 bilhões até 2030.
No Brasil, o maior obstáculo ainda é a baixa conectividade nas estradas. No início de maio, a Anatel realizou um leilão para a concessão de sinal 4G e 5G ao longo de 6.500 quilômetros de rodovias federais. Foram concedidos R$ 23 milhões em outorgas, de norte a sul do país, em áreas rurais e regiões consideradas “zonas de silêncio”, porque estavam sem sinal de telefonia celular. Cerca de 800 localidades, em 16 estados, devem ser beneficiadas. O sinal nesses lugares será operado na faixa de 700 MHz, que consegue viajar longas distâncias e contornar obstáculos mais facilmente.
Operadores de frotas têm investido na digitalização das operações, alavancando um potencial que ainda não é totalmente aproveitado, já que, de acordo com a Anatel, somente 47% dos 445 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais possuem cobertura 4G de ao menos uma operadora. O 5G, então, atinge apenas 12%. Quem tem se beneficiado mais são as transportadoras que atuam em regiões próximas aos grandes centros, como as capitais e as grandes cidades do Sudeste. E os benefícios são reais. Por exemplo, 30 mil veículos hoje são acompanhados por uma iniciativa conjunta entre a Michelin Connected Fleet Powered by Sascar e a TIM. Baseada em IoT, ela permite o monitoramento de caminhões e cargas nas rodovias, e registra índice de recuperação superior a 80% em casos de roubo ou extravio.
Um exemplo do potencial da tecnologia nas estradas está no Rodoanel de São Paulo. A concessionária SPMar está tornando todo o trecho de pouco mais de 100 quilômetros que administra em rodovias conectadas, com rede de fibra ótica, data center e fornecimento de Wi-Fi gratuito através de patrocínio, além de 120 câmeras operadas com inteligência artificial para monitorar infrações e crimes.
Saiba mais sobre o tema nos sites Notícias Automotivas, Canaltech, Estradão e Frota & Cia.
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