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Se defender contra o roubo de cargas é uma das principais preocupações de quem administra uma empresa de transporte no Brasil. Algumas pesquisas recentes mostraram que esse crime e os recursos necessários para se defender dele estão mudando rapidamente.
Um relatório da nstech, empresa de software voltada à gestão de supply chain, mostra que a geografia do roubo de cargas no Brasil teve uma mudança geográfica no ano passado. Embora a região Sudeste continue liderando os prejuízos, sua participação caiu no ano passado, com o crime se espalhando para outras regiões, onde a segurança é menor.
A fatia dos roubos de carga do Sudeste caiu de 83,2%, em 2024, para 68,1% em 2025, enquanto o Nordeste manteve o segundo lugar. Já a região Norte saltou em participação, de modestos 0,9% em 2024 para 11,2%. No Sudeste, a divisão das ocorrências foi liderada por São Paulo (44,2% da região), com o Rio de Janeiro (37%) em segundo, justamente os dois estados com maior tráfego de mercadorias. Em relação ao tipo de cargas roubadas, as mais visadas foram as fracionadas (47,4%) e alimentícias (27,1%). Um dos itens mais visados pelos bandidos foram as famosas canetas emagrecedoras, que, segundo um cálculo da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), tiveram 65 mil unidades roubadas em 2025.
Outra característica da atuação das quadrilhas é que, embora a maioria dos assaltos ainda aconteça à noite (30,7%), o crime se espalhou ao longo dos diversos horários do dia, com o maior aumento proporcional acontecendo pela manhã. Mesmo os finais de semana, antigamente mais tranquilos, também passaram a registrar uma quantidade significativa de crimes.
Segundo uma análise do portal Jota, usando números do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), aconteceram 8.570 roubos e furtos de carga no Brasil em 2025, o equivalente a aproximadamente 23 ocorrências por dia. Seria uma queda de cerca de 14% em relação a 2024, quando o país registrou mais de 10 mil ocorrências, conforme a mesma fonte de dados. Mas, aparentemente, o que está acontecendo não é uma diminuição do volume roubado, e sim uma reorganização das quadrilhas, que passaram a focar as cargas de maior valor ou que possuem maior facilidade de revenda.
Para enfrentar essa realidade, o mercado vem buscando soluções que incluem ferramentas digitais. A empresa de tecnologia T4S, por exemplo, vendeu mais de 40 mil unidades de um produto batizado de Imobilizador, que bloqueia o veículo ao detectar o uso de jammer — aparelho conhecido como “chupa-cabra”, que consegue neutralizar sinais de GPS/GPRS. A solução, de acordo com a empresa, tem 95% de efetividade. Outro recurso é chamado de Choque Elétrico Anti-invasão, que, no caso de tentativa de roubo da carga com rompimento ou perfuração do baú, atinge o criminoso com um choque de alto impacto de 20 mil volts, que é imobilizante, porém não letal.
Confira o percentual dos prejuízos por roubos de carga (calculado por valor), por rodovia, segundo o relatório da nstech:
Áreas urbanas 24,90%
BR-101 9,90%
BR-116 9,50%
BR-153 7,30%
BR-381 5,40%
BR-010 5,20%
BR-226 4,00%
BR-040 3,20%
BR-230 2,60%
BR-452 2,20%
SP-330 2,10%
SP-316 2,10%
BR-050 2,00%
SP-065 N/A
Outras 19,60%
O relatório pode ser baixado na íntegra, gratuitamente, aqui.
Saiba mais nos sites Estadão, Valor (somente para assinantes), Jota, Mundo Logística e nstech.
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