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A rodovia mais movimentada do Brasil deve se transformar em um verdadeiro laboratório de eletrificação do transporte pesado. Um projeto revelado durante a COP30 propõe usar a Via Dutra, o corredor que liga o Rio de Janeiro a São Paulo, para acelerar a adoção de caminhões elétricos em operações de longa distância, ligando os dois maiores polos econômicos do país. Com o nome de Laneshift e-Dutra, o projeto calcula que cerca de mil caminhões elétricos devem circular diariamente pela rodovia até 2030. Participam do plano 17 empresas dos setores automotivo, logístico e industrial. O objetivo é comprovar a viabilidade da eletrificação em escala, fora do ambiente de testes pontuais que atualmente acontecem no país.
Enquanto os carros híbridos e elétricos se transformaram em sucessos de vendas no Brasil, com os caminhões isso ainda está longe de ser uma realidade. Se na China a venda dos elétricos já ultrapassou a venda dos caminhões a diesel, com 54% dos emplacamentos no final do ano passado, por aqui muitas dificuldades impedem esse avanço. O motivo mais apontado pelos especialistas é a falta de postos de recarga. O segundo é o alto preço desses veículos, comparados aos de motorização convencional. Por isso mesmo, em 2025 foram vendidos no Brasil somente 368 caminhões elétricos ou híbridos, um número 23% menor do que o do ano anterior. A maioria deles é de pequeno ou médio porte, utilizada em entregas urbanas da chamada “last mile”, a última etapa da logística.
A proposta do projeto da Dutra é gerar ganhos de eficiência que tornem a operação de caminhões elétricos pesados economicamente viável. Por isso, inclui a implantação de postos de recarga ultrarrápida. Os dois primeiros já estão instalados na cidade do Rio, e o grupo está analisando os pontos para a instalação de outros. Com o corredor verde, a previsão é de que sejam evitadas cerca de 75 mil toneladas de emissões de CO2 em 2030. Um trecho-piloto para a rota verde está sendo operado pela DHL entre Cajamar e Sumaré, no interior paulista. Algumas das empresas que participam do projeto implementaram recentemente um corredor semelhante, de 350 km, entre duas cidades da Índia.
O movimento para viabilizar caminhões elétricos no Brasil também está acelerando em outras áreas. O CEO da Scania para a América Latina, Christopher Podgorski, explicou em entrevista que a empresa produz no Brasil alguns componentes para veículos elétricos, e a tendência nos próximos anos é de começar a produzir também caminhões. Já a chinesa Sany anunciou que no segundo semestre começará a produzir caminhões elétricos em sua fábrica no interior paulista. “O Brasil reúne características muito favoráveis: forte predominância do transporte rodoviário, matriz energética limpa e enorme potencial para eletrificação. É um mercado estratégico e vai se tornar nosso hub para a América Latina”, afirmou Dieter Martin Lommer, diretor de vendas da empresa no Brasil. Segundo a iniciativa internacional Gigantes Elétricos, que defende a eletrificação entre os fabricantes de caminhões, o Brasil teria uma posição privilegiada para liderar a adoção desse tipo de veículo na América Latina.
Saiba mais nos sites Tempo Real RJ, Estadão, Valor (restrito a assinantes), GC Notícias, Transporte Moderno e Gigantes Elétricos.
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